Caules na floresta

Caules na floresta

sábado, 6 de setembro de 2014

(Poème) RIO NEGRO

RIO NEGRO

Sinto saudades do belo rio de minha terra,
Quantas lembranças exsudam do meu ser,
Quando me banho no rio de minha terra,
Volto ao começo, ao reino das águas,
Ao recordar minha vida, a infância querida,
A essência da luz, a gestação e a vida,
Ao alimento primário, a fonte, a geração.

O rio de minha terra é de água doce,
Mas é ilusória a sensação de calmaria, 
Derrama caudaloso, desde o Orinoco,
Arrasta troncos, barrancos, e frágeis palafitas,
Tudo que encontra no seu leito, vai de roldão.

E nas florestas as folhas secas se decompondo,
Soltas ao vento que lhes arrastam para o rio,
Matéria orgânica do negrume de suas águas,,
A mais pesada em densidade, mutação.

São dois átomos de hidrogênio flutuante,
E mais um átomo, oxigênio em expansão, 
Que se movem em turbilhão rumo ao Atlântico,
O mais salgado oceano em extensão.

E o grande rio em seus transes catatônicos,
Por gravidade, avança 
com força e pressão,
Renovando intensamente às suas margens, 
Em novas paragens, surgirão novos pontões.

Das ciclópicas catarses das vazantes,
Extensas praias que ressurgem no beirão,
Areias brancas, monazíticas, que incandescem,
O mais úmido e o mais tórrido verão.

Sopram ventos de boreste ao bombordo,
Vem temporal, chuvas com raios e trovão,
Grandes vagas espumantes que se arrastam,
E levam barcos que perderam o seu timão.


Ondas negras que se espraiam rumo às margens,
Mil novas ilhas movediças surgirão,
O vai vem das águas densas do Rio Negro,
Doces lembranças, minha história, meu torrão.

(Izidius, o romano).

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