RIO NEGRO
Sinto saudades do
belo rio de minha terra,
Quantas lembranças
exsudam do meu ser,
Quando me banho no rio de minha terra,
Volto ao começo, ao reino das águas,
Quando me banho no rio de minha terra,
Volto ao começo, ao reino das águas,
Ao recordar minha vida, a infância querida,
A essência da luz, a
gestação e a vida,
Ao alimento primário, a fonte, a geração.
Ao alimento primário, a fonte, a geração.
O rio de minha terra
é de água doce,
Mas é ilusória a sensação de calmaria,
Derrama caudaloso, desde o Orinoco,
Arrasta troncos, barrancos, e frágeis palafitas,
Tudo que encontra no seu leito, vai de roldão.
Mas é ilusória a sensação de calmaria,
Derrama caudaloso, desde o Orinoco,
Arrasta troncos, barrancos, e frágeis palafitas,
Tudo que encontra no seu leito, vai de roldão.
E nas florestas as folhas secas se
decompondo,
Soltas ao vento que lhes arrastam para o rio,
Matéria orgânica do negrume de suas águas,,
A mais pesada em densidade, mutação.
Soltas ao vento que lhes arrastam para o rio,
Matéria orgânica do negrume de suas águas,,
A mais pesada em densidade, mutação.
São dois átomos de hidrogênio
flutuante,
E mais um átomo, oxigênio em expansão,
Que se movem em turbilhão rumo ao Atlântico,
O mais salgado oceano em extensão.
E mais um átomo, oxigênio em expansão,
Que se movem em turbilhão rumo ao Atlântico,
O mais salgado oceano em extensão.
E o grande rio em seus transes
catatônicos,
Por gravidade, avança com força e pressão,
Por gravidade, avança com força e pressão,
Renovando intensamente às suas margens,
Em novas paragens, surgirão novos pontões.
Em novas paragens, surgirão novos pontões.
Das ciclópicas catarses das vazantes,
Extensas praias que ressurgem no beirão,
Areias brancas, monazíticas, que incandescem,
O mais úmido e o mais tórrido verão.
Extensas praias que ressurgem no beirão,
Areias brancas, monazíticas, que incandescem,
O mais úmido e o mais tórrido verão.
Sopram ventos de boreste ao
bombordo,
Vem temporal, chuvas com raios e trovão,
Grandes vagas espumantes que se arrastam,
E levam barcos que perderam o seu timão.
Vem temporal, chuvas com raios e trovão,
Grandes vagas espumantes que se arrastam,
E levam barcos que perderam o seu timão.
Ondas negras que se espraiam rumo às
margens,
Mil novas ilhas movediças surgirão,
O vai vem das águas densas do Rio Negro,
Doces lembranças, minha história, meu torrão.
(Izidius, o romano).
Mil novas ilhas movediças surgirão,
O vai vem das águas densas do Rio Negro,
Doces lembranças, minha história, meu torrão.
(Izidius, o romano).

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