LUZ NA PROA
Luz na proa traça o rumo
Pelo rio, barco, jangada,
Que ilumina toda a estrada
Feito setas no caminho,
Desviando dos espinhos
Troncos, pedras, peixes-espada.
Remo o barco de mansinho
Pra fazer pouco banzeiro,
Deixo o peixe tão faceiro
Que se esquece que é presa,
De um anzol tão agressivo
Que só quer fisgá-lo inteiro.
Menorah de sete braços
Clareia do mastro gajeiro,
De meu barco pequenino
Que navega vento em proa,
Limpa trevas circundantes
Dissipando as incertezas,
Toco o barco com mão firme,
Neste mar de água boa.
Caem os raios no horizonte
Riscam espaços meio afoitos,
Em zigue-zagues rumo a terra
Qual chicotes em zás açoites,
Sou monista e dualista
Sou matéria e mais espírito,
E no barco que navego
É meu corpo em harmonia.
Meu barco chamou o tempo
Meu corpo em tempo chegou,
Vejo-me inteiro no tempo
Sou o peixe que o tempo fisgou,
Viverei preso no tempo
Na corrente do tempo de amor.
(Izidius, o romano).

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