Caules na floresta

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segunda-feira, 8 de setembro de 2014

(Commentaire) GANDHI POS-MODERNO

Ao reler a metáfora Alegoria da Caverna de Platão, República, Livro VII, (514a-517c), onde o sábio Sócrates nos faz pensar a história humana, e repensar o caminhar da humanidade. Há mais de 2.500 anos na Grécia, cidade de Atenas, (século IV a.C.), a percepção luminosa de Sócrates no resplendor do período socrático, também conhecido como período clássico, transcende até os dias atuais permeando sua sabedoria por toda a sociedade contemporânea. Nessa trajetória nos libertamos do horizonte tribal, por séculos cruzamos o horizonte agrícola, atingimos a era civilizada, vivenciamos a explosão da sociedade industrial, mas distanciamos do horizonte espiritual. Hoje perplexo, constatamos o enigma da sociedade tecnológica, enigmática por provocar a pergunta existencial, para onde iremos? Com o advento do computador e do celular, confirma-se a premissa de Marshall Mcluhan, filósofo e educador canadense de que, o progresso tecnológico estava reduzindo todo o planeta a uma aldeia global. Mas é pertinente lembrar que, o mestre Sócrates já havia anunciado a globalização quando respondeu à Platão, eu sou cidadão do mundo, no diálogo em torno do Conhece-te a ti mesmo. Desde a metade do século XX o céu não é mais o limite, naves espaciais tripuladas ou não invadiram o espaço sideral; a robótica desenvolve máquinas que falam e andam; a engenharia genética com a manipulação e a combinação de genes, clonagens e inseminação artificial; os computadores, a internet, os celulares; a nanotecnologia, a capacidade potencial de criar coisas a partir do menor, isto é, em escala molecular; as pesquisas em águas profundas e abissais. Um espetacular e inimaginável avanço onde tudo e todos se empenham na busca de novas tecnologias para servir a humanidade. Mas segundo a Organização das Nações Unidas, assunto tratado em 2006, no Fórum Mundial Urbano na cidade de Vancouver no Canadá, mais de 900 milhões de pessoas no mundo passam fome; 100 milhões moram na rua; cerca de 1 bilhão vive em assentamentos precários e favelas; 1,1 bilhão de pessoas não tem acesso a água e, 2,4 bilhões não tem acesso ao saneamento básico. É tão grave não ter o que comer e saciar a sede, quanto não saber ler, a exclusão pelas letras é dantesca, é crime contra a humanidade. Esse é o grande paradoxo em que vivemos, o céu sem limites, e o inferno de Dante Alighieri que, em seu poema épico Divina Comédia, (1307-1321 dc.), narra uma odisseia pelo inferno, purgatório e paraíso. Por toda essa dicotomia existencial concluo que, enquanto estivermos presos, acorrentados a Caverna de Platão, dominados por milenar letargia, iludidos que dominamos a natureza quando na realidade a destruímos; enquanto não nos conscientizarmos de que na escala evolutiva somos os mais dependentes, e que, cada vez mais nos tornamos individualistas, egoístas e materialistas; enquanto não nos libertarmos da insânia das guerras, do preconceito e ignorância, não acordaremos. Daqui, reduzido a uma infinitesimal partícula, ouso dizer que. O grande desafio e colossal paradigma humano é despertar em cada indivíduo um Gandhi pós-moderno, ao defender a não-agressão como princípio fundamental da pacificação, metamorfoseando-nos, aceitando com senso crítico todas as transformações tecnológicas que nos são benéficas e, relegando ao desuso, todas as que nos causam graves problemas ambientais, religando-nos ao horizonte espiritual, aprendendo a sentir o eu, não o eu junguiano, mas sentir a insustentável leveza do ser, o espírito, percebendo que o ser humano também significa um mano. Assim conseguiremos separar o joio do trigo, nos capacitaremos a escolher líderes éticos, desvinculados de históricos de improbidades, mas compromissados com a verdade, libertos de todas as amarras limitadoras, finitas e testamentárias. Um líder com a mão na terra e a cabeça no além.

(Izidius, o romano).

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