Caules na floresta

Caules na floresta

sábado, 29 de novembro de 2014

Jesus não estava em Jerusalém

       
A luz era matutina, o Sol brilhava intensamente em Belém, mas Jesus não estava em Jerusalém. Mesmo assim mantive a sede ancestral de encontrá-lo no burburinho vazio, de revê-lo entre os velhos e os novos amigos, do ansioso encontro saudável consigo, mas Jerusalém não é a mesma sem Jesus. No dia a dia santo, que são todos os dias, Jerusalém ficou cinzenta e armada, desamada por corações egoístas, são doze tribos, irmãos contra irmãos. Reencontrei Pilatos ainda com forte presença, pois crucificam Jesus, mesmo na ausência, com o sangue dos justos, e sem redenção. Não vi Jesus no Monte das Oliveiras, procurei pelas covas, no Horto do Sepulcro, nas casas, nos templos e sinagogas, não encontrei Jesus em Jerusalém. Jesus ressurgiu nos corações humanos para ser desvendado, reconhecido e revelado, na mesma grandeza que conquistamos a longa e diária salvação. Mesmo sem o Messias em Jerusalém, consegui desligar da dispersão negativa, desconstruir o tosco olhar pós-moderno, que ainda insiste em reforçar o meu ego, quando teimo em parecer o que não sou. Revisitei o Gólgota e, para minha surpresa, não vi nem o sinal da cruz, mas libertei-me do culto ao personalismo, do insistente primeiro plano nas fotos, da mundana discursiva das metrópoles, dos afagos num ego carente de amor, que, quase sem luz, arrasta-se entre o gentio, sedento por fáceis e enganosos elogios, ante o flash da câmera indiscreta. No citadino jardim do Getsêmani, o Sol ardia pelo levante Oriente, e com meu sextante, mirei em direção ao Ocidente, e, vi Jesus! Além de Yerushaláyim. Então, consegui destruir o meu "eu" narcisista ao internalizar a grande luz na memória, desliguei-me do falso conforto ladino, e reencontrei-me na solidão positiva. Eliminei todos os lamentos senis ao libertar-me da ansiedade nociva, vivi o amor sem o narcisismo dialético, ao sentir o olhar carinhoso de Deus.

(Izidius, o romano).

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