Chegou a hora da
Igreja Católica reconhecer que o dogma não é intocável. A secular e poderosa
instituição precisa urgentemente revisar a doutrina da fé. Não falo em
modernização dos ensinamentos, nem adaptação ao comportamento modernista da
sociedade. Tenho a cognição de que muitos atos humanos na maioria das vezes não
condizem com a famosa citação latina, mens sana in corpore sano, derivada
da Sátira X do poeta romano Juvenal que, apesar das generalidades do mundo
moderno expressam o conceito de equilíbrio saudável no modo de vida de uma
pessoa. Falo no sentido de que a grande instituição religiosa, pressionada pelo
fogo da transformação e firmada no primado da verdade, reestude doutrinas,
práticas e costumes seculares que não condizem com a realidade da exegese
espiritual, tão dignamente representada por Jesus numa época em que não existia
catolicismo e a doutrina era transmitida pela Tradição Oral. O Messias por ser
Universal e Libertador não pode ser aprisionado por nenhuma religião, o Cristo
é de todos que praticam sua doutrina e o mantêm na memória e no coração. Um dos
primados que precisa ser revisto é o celibato, o sacerdote necessita repartir o
pão e os bens, constituir família e gerar filhos para poder aconselhar e orientar com propriedade os que precisam, pois viverá a complexa realidade do
casamento, um dos mais difíceis testes a que são submetidos quase todas as mulheres e homens, filhos do Criador. A igreja é dirigida por homens que tem desejos, reações e
sentimentos, portanto, o princípio da fé cristã crescei e multiplicai-vos não deve ser responsabilidade única de homens e mulheres não clericais, por que, por
questão de igualdade e justiça divina, são atribuições de todos. Enquanto o clero doutrinar sem se transformar, focando no único objetivo de
impedir seu povo ir para o inferno, mais e mais escândalos sujeitarão a
milenar ordem ao vexame, a vergonha e a perda de fiéis. O inferno é aqui,
habitado por seres humanos que praticam muito mais ações negativas do que
positivas, e que mesmo sendo batizados continuam pagãos, sedentos de perdão, amor,
luz e sabedoria. Sair do Inferno é a maior missão de toda a humanidade, mesmo
não sabendo como, mas, se praticarmos o bem com ações justas e positivas, se
amarmos o nosso próximo como a nós mesmos, se repartirmos o pão e as riquezas
excedentes, com certeza nos perdoaremos e encontraremos o caminho limpo e sadio.
Para encontrarmos o caminho da liberdade responsável não precisamos viver
dependentes de igrejas ou pastores, pois, quanto maior a sanidade no povo,
menos religioso ele é, e maior é seu grau de consciência e libertação. Por ser gestada por homens a história da igreja é eivada de percalços, demonstrando assim que em nenhum momento o clero
atingiu estado numinoso, o poder
celeste para consagrar este ou aquele como santo, mas mesmo assim o olimpo católico está repleto de auras, tem santos para todos os dias. Ungir é competência divina,
somente a sanidade identifica a santidade, somente o puro identifica a pureza.
João Batista e Maria, mãe de Jesus, dão claras revelações que estavam acordados e gozavam de sanidade, a
saúde perfeita, a santidade. Mas ao contrário, a Inquisição instalou a
barbárie, capacitou-se a demonizar e lançar às fogueiras, milhares de pessoas, santos verdadeiros foram queimados. Em verdade, a instituição católica
precisa aproximar-se de seu povo, humanizar-se, reconhecer que o dogma é tocável, e quando religar a espiritualidade
consciente, poderá manter a mão na terra, mas a cabeça no além. Se assim o fizer, milhões voltarão.
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