Caules na floresta

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terça-feira, 7 de janeiro de 2014

O inferno é aqui

Chegou a hora da Igreja Católica reconhecer que o dogma não é intocável. A secular e poderosa instituição precisa urgentemente revisar a doutrina da fé. Não falo em modernização dos ensinamentos, nem adaptação ao comportamento modernista da sociedade. Tenho a cognição de que muitos atos humanos na maioria das vezes não condizem com a famosa citação latina, mens sana in corpore sano, derivada da Sátira X do poeta romano Juvenal que, apesar das generalidades do mundo moderno expressam o conceito de equilíbrio saudável no modo de vida de uma pessoa. Falo no sentido de que a grande instituição religiosa, pressionada pelo fogo da transformação e firmada no primado da verdade, reestude doutrinas, práticas e costumes seculares que não condizem com a realidade da exegese espiritual, tão dignamente representada por Jesus numa época em que não existia catolicismo e a doutrina era transmitida pela Tradição Oral. O Messias por ser Universal e Libertador não pode ser aprisionado por nenhuma religião, o Cristo é de todos que praticam sua doutrina e o mantêm na memória e no coração. Um dos primados que precisa ser revisto é o celibato, o sacerdote necessita repartir o pão e os bens, constituir família e gerar filhos para poder aconselhar e orientar com propriedade os que precisam, pois viverá a complexa realidade do casamento, um dos mais difíceis testes a que são submetidos quase todas as mulheres e homens, filhos do Criador. A igreja é dirigida por homens que tem desejos, reações e sentimentos, portanto, o princípio da fé cristã crescei e multiplicai-vos não deve ser responsabilidade única de homens e mulheres não clericais, por que, por questão de igualdade e justiça divina, são atribuições de todos. Enquanto o clero doutrinar sem se transformar, focando no único objetivo de impedir seu povo ir para o inferno, mais e mais escândalos sujeitarão a milenar ordem ao vexame, a vergonha e a perda de fiéis. O inferno é aqui, habitado por seres humanos que praticam muito mais ações negativas do que positivas, e que mesmo sendo batizados continuam pagãos, sedentos de perdão, amor, luz e sabedoria. Sair do Inferno é a maior missão de toda a humanidade, mesmo não sabendo como, mas, se praticarmos o bem com ações justas e positivas, se amarmos o nosso próximo como a nós mesmos, se repartirmos o pão e as riquezas excedentes, com certeza nos perdoaremos e encontraremos o caminho limpo e sadio. Para encontrarmos o caminho da liberdade responsável não precisamos viver dependentes de igrejas ou pastores, pois, quanto maior a sanidade no povo, menos religioso ele é, e maior é seu grau de consciência e libertação. Por ser gestada por homens a história da igreja é eivada de percalços, demonstrando assim que em nenhum momento o clero atingiu estado numinoso, o poder celeste para consagrar este ou aquele como santo, mas mesmo assim o olimpo católico está repleto de auras, tem santos para todos os dias. Ungir é competência divina, somente a sanidade identifica a santidade, somente o puro identifica a pureza. João Batista e Maria, mãe de Jesus, dão claras revelações que estavam acordados e gozavam de sanidade, a saúde perfeita, a santidade. Mas ao contrário, a Inquisição instalou a barbárie, capacitou-se a demonizar e lançar às fogueiras, milhares de pessoas, santos verdadeiros foram queimados. Em verdade, a instituição católica precisa aproximar-se de seu povo, humanizar-se, reconhecer que o dogma é tocável, e quando religar a espiritualidade consciente, poderá manter a mão na terra, mas a cabeça no além. Se assim o fizer, milhões voltarão.

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