Ao caminhar pelos shoppings brasilienses desde o início do mês de dezembro, observo o extraordinário movimento do período natalino. A população envolvida pelo clima e com os corações enternecidos, projeta e manifesta ações de amor ao próximo. Por ser cidadão comum, mas ciente do inconsciente coletivo nas ações humanas, vejo que neste período instala-se em grande parte da sociedade ocidental, o saco do Papai Noel abarrotado de bondades, enquanto o saco das maldades fica em stand-by. Milhões de residências, ruas e lojas enfeitadas, preparam-se para este evento mundial. Mercúrio, deus do Comércio, exulta com o entusiasmo dos consumidores e comerciantes que, seduzidos pelo sonho de serem felizes, inebriam-se num frenético vai e vem onde, vende-se tudo, compra-se tudo e gasta-se tudo. A grande festa do mundo cristão é para ser um momento de reflexão e concentração na revelação do que significa o nascimento de Jesus para toda a humanidade, mas sob forte pressão consumista, o grande encontro espiritual se transforma numa feira mercantilista. Sob o domínio de Baco, deus do vinho, exsudam todos os tipos de exageros, opulências, demonstrações de riquezas e luxúrias, tendo como símbolo máximo de pseudo adoração, o personagem postiço, barba branca, obeso e vermelho, que balbucia o indecifrável, how! how! how!, enquanto o verdadeiro pai espiritual e homenageado da festa, aniversariante de todos os dias, merecedor de todas as honras e adorações é excluído da cena. Mas reconheço também que em milhões de lares no mundo, o dia de Natal é um dia muito especial, de alegria, de recolhimento e meditação, dia de oração, reunião das famílias e entrega de presentes, o Natal transformou-se até no dia do perdão, pois deseja-se Feliz Natal mesmo aos hipotéticos inimigos. Mas é oportuno lembrar que o Natal é todo dia, porque todo dia, é dia santo.
(Izidius, o romano).
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