Caules na floresta

Caules na floresta

sexta-feira, 3 de abril de 2015

Brasília e a menopausa urbana

“a falta que faz a tão necessária reposição hormonal na mentalidade dos gestores públicos”


No próximo 21 de abril de 2015, Brasília completará 55 anos de existência. A bela capital está aceleradamente envelhecida pelas constantes crises, resquícios da menopausa urbana que lhes causa visíveis descaracterizações em seu projeto original. Verifica-se tal fenômeno destrutivo em princípio, por não ter sido feito a tão necessária reposição hormonal na mentalidade de seus gestores públicos. As descaracterizações são visivelmente notadas nas invasões de áreas públicas no Lago Norte; nos puxadinhos dos bares nas Asas Sul e Norte; nos blocos residenciais com pilotis cercados por grades; nas quadras residenciais com acercamentos acima do permitido por lei; nas coberturas irregulares; na falta de estacionamentos na área central da cidade; nas redes de águas pluviais que não mais suportam o fluxo das águas das chuvas;  na rede elétrica aérea, e nas invasões de novos ricos na orla do Lago Paranoá. Os invasores ocupam (in)conscientes, licenciosos e arrogantes, as belas margens do lago artificial, destinadas no projeto original ao usufruto de toda população brasiliense, mas hoje transformada em áreas exclusivas desses privilegiados. Os moradores invasores da orla do Lago Paranoá não estão sozinhos nesta licenciosidade, contam há mais de 30 anos com a leniência do governo do Distrito Federal, que tem o dever de cumprir e fazer cumprir as leis que lhes impedem de erigir construções até 30 metros de suas margens. Como mal exemplo cito o Lago Norte, constituído por 5.776 lotes, a região é uma das áreas mais caras e nobres de Brasília e, conforme conclusões de um mapeamento feito através de imagens de satélite elaborado pela Agência de Fiscalização do Distrito Federal, o bairro têm 99% dos terrenos em situação irregular.  

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