“a falta que faz a tão necessária reposição hormonal
na mentalidade dos gestores públicos”
No próximo 21 de abril de 2015, Brasília completará
55 anos de existência. A bela capital está aceleradamente envelhecida pelas
constantes crises, resquícios da menopausa urbana que lhes causa visíveis
descaracterizações em seu projeto original. Verifica-se tal fenômeno destrutivo
em princípio, por não ter sido feito a tão necessária reposição hormonal na
mentalidade de seus gestores públicos. As descaracterizações são visivelmente
notadas nas invasões de áreas públicas no Lago Norte; nos puxadinhos dos bares
nas Asas Sul e Norte; nos blocos residenciais com pilotis cercados por grades;
nas quadras residenciais com acercamentos acima do permitido por lei; nas
coberturas irregulares; na falta de estacionamentos na área central da cidade; nas
redes de águas pluviais que não mais suportam o fluxo das águas das chuvas; na rede elétrica aérea, e nas invasões de
novos ricos na orla do Lago Paranoá. Os invasores ocupam (in)conscientes,
licenciosos e arrogantes, as belas margens do lago artificial, destinadas no
projeto original ao usufruto de toda população brasiliense, mas hoje
transformada em áreas exclusivas desses privilegiados. Os moradores invasores
da orla do Lago Paranoá não estão sozinhos nesta licenciosidade, contam há mais
de 30 anos com a leniência do governo do Distrito Federal, que tem o dever de
cumprir e fazer cumprir as leis que lhes impedem de erigir construções até 30
metros de suas margens. Como mal exemplo cito o Lago Norte, constituído por 5.776 lotes, a
região é uma das
áreas mais caras e nobres de Brasília e, conforme conclusões de um mapeamento feito através de imagens
de satélite elaborado pela Agência de Fiscalização do Distrito Federal, o
bairro têm 99% dos terrenos em situação
irregular.

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