A
amizade começa ao desatarem os nós, quando as ideias se integram, as
barreiras se rompem, as mãos entrelaçam, os corações aceleram, enternecem, se
abraçam, a amizade, o élan, o chamamento do bem. A amizade reconstrói amores desfeitos,
recupera esperanças perdidas, transcende aos mais rudes defeitos. A amizade se
fortalece na mesma grandeza em que se distanciam os interesses escusos, e até mesmo
ao deitar sobre o leito, refaz-se na lembrança a presença das amizades
construídas, nos faz desejar a felicidade dos outros. A amizade não é quimera, para
exigir-se que seja sincera, que seja impressa em rótulos, pautada em condutas e condições, que seja mecanismo para confirmar lealdades ou satisfazer conveniências sociais. A amizade é trilhada
em dupla harmonia, construída sem regras e sem testemunhos, mas condutora ao caminho
do Um. A amizade gestada no afeto, desfaz o infortúnio de outrora, agrega o
querer bem a vitória, aclara os sentimentos, oxigena os corações, afasta a
tristeza da hora, levantando os caídos ao chão.
(Izidius, o romano).
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