Ao
sintetizar o relato "Alegoria da Caverna de Platão", República, Livro
VII, (514a-517c), onde a metáfora do sábio Sócrates nos faz pensar a história
humana e repensar o caminhar da humanidade. Há mais de 2.500 anos na Grécia,
cidade de Atenas, século IV a.C., a percepção luminosa de Sócrates no
resplendor do período socrático, também conhecido como período clássico,
transcende e reflete até os dias atuais permeando sua sabedoria por toda a
sociedade contemporânea. Nesta trajetória nos libertamos do horizonte tribal,
por séculos cruzamos o horizonte agrícola, atingimos a era civilizada,
vivenciamos a explosão da sociedade industrial, mas distanciamos do horizonte
espiritual e, hoje perplexo, constatamos o enigma da sociedade tecnológica,
enigmática por provocar a pergunta existencial, para onde iremos? Com o advento
do computador e do celular, confirma-se a premissa de Marshall Mcluhan, filósofo
e educador canadense de que, o progresso tecnológico estava reduzindo todo o
planeta a uma “aldeia global”. Mas é pertinente lembrar que, o mestre
Sócrates já havia anunciado a globalização quando respondeu a Platão, “eu sou
cidadão do mundo", no diálogo em torno do "Conhece-te a ti
mesmo". Hoje, o céu não é mais o limite, naves espaciais tripuladas ou
não, invadiram o espaço sideral; a robótica, desenvolvendo robôs que falam e
andam; a engenharia genética, com a manipulação e combinação de genes, clonagem
e inseminação artificial; os computadores, a internet, os celulares;
a nanotecnologia, capacidade potencial de criar coisas a partir do menor,
isto é, em escala molecular; as pesquisas em águas profundas e abissais; o
pré-sal no Brasil com suas verdades, mitos e utopias, um espetacular e
inimaginável avanço, tudo e todos em busca de servir a humanidade. Segundo a
Organização das Nações Unidas, assunto tratado em 2006 no Fórum Mundial Urbano
na cidade de Vancouver, Canadá, mais de 900 milhões de pessoas no mundo passam
fome; 100 milhões moram nas ruas; cerca de 1 bilhão vivem em assentamentos
precários e favelas; 1,1 bilhão de pessoas não tem acesso a água e 2,4 bilhões
não tem acesso a saneamento básico. É tão grave não ter o que comer e saciar a
sede, quanto não saber ler, a exclusão pelas letras é dantesca, é crime contra
a humanidade. Este é o grande paradoxo em que vivemos, o céu sem limites e o
inferno de Dante Alighieri em seu poema épico Divina Comédia,
(1307-1321 dc.), que narra uma odisseia pelo inferno, purgatório e paraíso. Por
toda esta dicotomia existencial concluo que, enquanto estivermos presos,
acorrentados a "Caverna de Platão", dominados por milenar letargia,
iludidos que dominamos a natureza quando na realidade a destruímos; enquanto
não nos conscientizarmos que na escala evolutiva somos os mais dependentes e,
cada vez mais nos tornamos individualistas, egoístas e materialistas; enquanto
não nos libertarmos da insânia das guerras, do preconceito e ignorância, não
acordaremos. Daqui, reduzido a uma infinitesimal partícula, ouso dizer que. O
grande desafio e colossal paradigma humano é despertar em cada indivíduo "um Gandhi pós moderno", defendendo a não agressão como princípio
fundamental da pacificação, metamorfoseando-nos, aceitando com senso crítico
todas as transformações tecnológicas que nos são benéficas e, relegando ao
desuso, todas que nos causam graves problemas ambientais, religando-nos ao
horizonte espiritual, aprendendo a sentir o eu, não o eu junguiano,
mas sentir a insustentável leveza do ser, o espírito, percebendo que o ser
humano também significa um irmão, um mano. Assim, conseguiremos separar o joio
do trigo, nos capacitaremos a escolher líderes éticos, desvinculados de
históricos de improbidades, mas compromissados com a verdade, libertos de todas
as amarras limitadoras, finitas, e testamentárias. Um líder com a mão na terra e
a cabeça no além.
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