Acompanho quase diariamente pelas mídias, twitter, blog, TV Senado, jornais e revistas, a obstinada vocação do
senador Cristovam Buarque em defesa da educação de qualidade no Brasil.
Professor Cristovam é vencedor de inúmeras propostas e agrega em seu
histórico de educador e político um sem número de conquistas. No Parlamento, as
resistências ocultam-se por detrás dos pronomes de tratamento, na
subliminaridade gestual, no perverso jogo de interesses e nas veleidades
orquestradas pelo mutualismo. Mas onde há sombra há luz, e na claridade é visível
o quanto algumas idéias deste parlamentar sobre o tema educação são
incompreendidas e cerceadas pelos seus pares. Comparando suas lutas sem tréguas
e os resultados dos avanços educacionais no país, induz-me a pensar que muitas
vezes seu clamor soa como palavras ao vento, assemelhando-se a exegese bíblica
do apóstolo João Batista clamando no deserto. Não estudo a exegese, mas por
clarividência intrínseca intuo que, João Batista clamando no deserto é
metáfora, o "Batista" era consciente. Cristovam Buarque clama no
deserto gerado pelo obscurantismo e o fisiologismo da maior parte dos políticos
nacionais. Clama no deserto da omissão do Estado brasileiro em fazer a revolução educacional "Luz para Todos". Clama no deserto do desinteresse de dar luz aos grotões por saberem que a cidadania esclarecida caminhará com as
próprias pernas. Clama no deserto pela constatação de que, *a educação
torna um povo fácil de guiar, mas difícil de dirigir, fácil de governar, mas
impossível de escravizar.
Fazendo analogia da tenacidade do senador Cristovam e de São Cristóvão, santo católico padroeiro dos viajantes,
concluo que, suas missões são das mais elevadas e sublimes por que, a nobreza é de quem serve, não de quem é servido, e servir aos semelhantes
é servir a Deus. Em resumo, avalio um Cristóvão entronizado como são, e outro Cristovam que por não ser são, e se o fosse não seria senador, mas que continua na diária determinação de conduzir a cidadania a cruzar os rios de
águas turvas que não permitem o acesso do saber a todos por estarem separados pelo maniqueísmo das elites.
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