Caules na floresta

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quinta-feira, 2 de janeiro de 2014

Educação para todos e as palavras ao vento.

Acompanho quase diariamente pelas mídias, twitter, blog, TV Senado, jornais e revistas, a obstinada vocação do senador Cristovam Buarque em defesa da educação de qualidade no Brasil. Professor Cristovam é vencedor de inúmeras propostas e agrega em seu histórico de educador e político um sem número de conquistas. No Parlamento, as resistências ocultam-se por detrás dos pronomes de tratamento, na subliminaridade gestual, no perverso jogo de interesses e nas veleidades orquestradas pelo mutualismo. Mas onde há sombra há luz, e na claridade é visível o quanto algumas idéias deste parlamentar sobre o tema educação são incompreendidas e cerceadas pelos seus pares. Comparando suas lutas sem tréguas e os resultados dos avanços educacionais no país, induz-me a pensar que muitas vezes seu clamor soa como palavras ao vento, assemelhando-se a exegese bíblica do apóstolo João Batista clamando no deserto. Não estudo a exegese, mas por clarividência intrínseca intuo que, João Batista clamando no deserto é metáfora, o "Batista" era consciente. Cristovam Buarque clama no deserto gerado pelo obscurantismo e o fisiologismo da maior parte dos políticos nacionais. Clama no deserto da omissão do Estado brasileiro em fazer a revolução educacional "Luz para Todos". Clama no deserto do desinteresse de dar luz aos grotões por saberem que a cidadania esclarecida caminhará com as próprias pernas. Clama no deserto pela constatação de que, *a educação torna um povo fácil de guiar, mas difícil de dirigir, fácil de governar, mas impossível de escravizar. Fazendo analogia da tenacidade do senador Cristovam e de São Cristóvão, santo católico padroeiro dos viajantes, concluo que, suas missões são das mais elevadas e sublimes por que, a nobreza é de quem serve, não de quem é servido, e servir aos semelhantes é servir a Deus. Em resumo, avalio um Cristóvão entronizado como são, e outro Cristovam que por não ser são, e se o fosse não seria senador, mas que continua na diária determinação de conduzir a cidadania a cruzar os rios de águas turvas que não permitem o acesso do saber a todos por estarem separados pelo maniqueísmo das elites.

(*) Henry Broughan, advogado e político britânico.

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